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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

MUNDO VIRTUAL


                   Nos últimos anos do século XX, com o surgimento dos computadores pessoais, um novo mundo foi criado: O mundo virtual. Mas o que é virtual? Será o irreal? Virtual é aquilo que pode se tornar real, um texto virtual se torna real quando o imprimimos. Esse mundo virtual promovido pela interconexão de computadores através da internet nos trouxe novas relações com o tempo e o espaço. Nos séculos passados a espera por uma notícia ou uma carta durava dias e até meses, hoje com a conexão à internet a comunicação tornou-se ágil e prática, com um clique e algumas tecladas é possível de onde estiver comunicar-se e receber notícias de qualquer parte do mundo.
                O ciberespaço ou rede, esse meio de comunicação propiciado pela interconexão de computadores, é formado por um mundo de informações que abriga e pelos indivíduos que exploram e alimentam esse mundo. É através desse espaço que se desenvolve uma produção coletiva do conhecimento.
             Com o crescimento do ciberespaço o processo de virtualização acelerou. No ciberespaço a relação entre público e privado ganhou novas formas, por causa da internet não se precisa mais sair de casa para ir ao banco ou até mesmo trabalhar. A memória é virtualizada e conseqüentemente estendida na rede, nela encontramos bancos de dados e arquivos virtuais.
            O impacto das tecnologias mudou o cotidiano e a forma de pensarmos, mudou o jeito de se fazer história. Mas até que ponto podemos falar sobre os impactos da tecnologia em nossas vidas? Não poderíamos pensar nessa tecnologia como um fruto da nossa sociedade e cultura? Será o ciberespaço resultado de uma busca pela aceleração do conhecimento e da comunicação? Essas são perguntas que deixo para você leitor refletir e promover uma discussão aqui no blog através de seus comentários. 
Elidiana do Vale

terça-feira, 6 de julho de 2010

O FUTEBOL SERGIPANO: DA AFIRMAÇÃO SOCIAL À DERROCADA


O Futebol brasileiro, uma adaptação cultural do football association trazido da Inglaterra em fins do século XIX, desenvolveu-se conjuntamente aos ventos de modernização da sociedade brasileira nos seus âmbitos políticos, econômicos e culturais. Das flutuações políticas dos governos oligarcas, passando pelas ditaduras nacionais, até a tentativa de democratização da Nova República, bem como do desenvolvimento do modo de produção capitalista sobre bases sólidas, o futebol tornou-se um dos mais icônicos reflexos da identidade do povo brasileiro. Em meio ao fortalecimento do futebol brasileiro, tensões culturais como movimentos dos trabalhadores, a afirmação da raça negra e das mulheres no cenário social, a latente religiosidade dos gramados, a afirmação do nacionalismo (da Nação propriamente dita e da “nação clubística”), o desenvolvimento do urbano e a reconfiguração do meio rural demarcaram a história brasileira.
Reflexo dos ares sociais e políticos, o Futebol brasileiro, desde a última década do século XX, vem tentando libertar-se das amarras corporativas e viciadas que o vinculam aos aparelhos de Estado, sustentando vícios privados mediante a sangria do público (a Confederação Brasileira de Futebol é o maior exemplo dessa sangria), e tentando construir uma moderna forma de administração com um campeonato nacional sólido, com clubes que possam conduzir suas finanças de modo equilibrado angariando fundos na iniciativa privada. Ainda que o Estado continue a sustentar os vícios (via “Time mania”, por exemplo), é notório o desenvolvimento administrativo do campeonato nacional de Futebol, bem como a administração de certos clubes, mais equilibrados historicamente. A participação e o sucesso dos clubes em campeonatos internacionais, a exemplo da Libertadores da América e do Mundial Interclubes FIFA, na última década, tem sido notório. Não obstante, tal movimento acirrou uma mácula histórica nacional, a disparidade do desenvolvimento regional entre o Sul-Sudeste e o Norte-Nordeste. Os campeonatos dessa região e a participação dos seus clubes nos campeonatos nacionais tem sido pífios, desvelando um abismo entre o profissionalismo e um semi-profissionalismo, entre o espetáculo esportivo moderno e as mambembes pelejas locais.
Em Sergipe esse quadro é patente. Um campeonato local enfraquecido. Clubes falidos. Administrações que se perpetuam nos clubes e na Federação local reveladoras dos mesmos vícios públicos do século passado. Vínculos à manutenção da estrutura geral da CBF à custa de benefícios políticos e doações financeiras para benefício privado, como comprovou o Relatório final da CPI CBF-Nike (2000). Inexistente participação dos clubes locais no cenário futebolístico nacional.
Quais as causas da derrocada do futebol do Norte-Nordeste, especialmente o sergipano, em meio ao fortalecimento do futebol nacional, leia-se do Sul-Sudeste? Os problemas centrais são de má administração esportiva ou revelam efetivamente as distâncias históricas entre a “metrópole” e o “interior”? Face ao desenvolvimento do profissionalismo no futebol brasileiro, como caracterizar o futebol sergipano: profissional, amador ou uma hibridização entre os dois? Um reflexo cultural ou uma determinação sócio-histórica do desenvolvimento nacional?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O FUTEBOL E A DINÂMICA CULTURAL DA SOCIEDADE SERGIPANA

O Futebol brasileiro, uma adaptação cultural do football association trazido da Inglaterra em fins do século XIX, desenvolveu-se conjuntamente aos ventos de modernização da sociedade brasileira nos seus âmbitos políticos, econômicos e culturais. Das flutuações políticas dos governos oligarcas, passando pelas ditaduras nacionais, até a tentativa de democratização da Nova República, bem como do desenvolvimento do modo de produção capitalista sobre bases sólidas, o futebol tornou-se um dos mais icônicos reflexos da identidade do povo brasileiro. Em meio ao fortalecimento do futebol brasileiro, tensões culturais como movimentos dos trabalhadores, a afirmação da raça negra e das mulheres no cenário social, a latente religiosidade dos gramados, a afirmação do nacionalismo (da Nação propriamente dita e da nação “clubística”), o desenvolvimento do urbano e a reconfiguração do meio rural demarcaram a história brasileira.
O Estado de Sergipe reproduziu o desenvolvimento nacional guardando as tensões e peculiaridades regionais. No campo esportivo, o nascimento e a origem do futebol, seus vínculos sociais e políticos, a ação dos industriais e dos trabalhadores, notadamente das fábricas têxteis, demarcou o desenvolvimento da sociedade sergipana. Desde o início do século XX, quatro centros terão destaque: Aracaju, no estuário do Rio Cotinguiba (depois, Rio Sergipe), nascedouro de duas agremiações de esportes náuticos, em 1909, o "Cotinguiba Sport Club" e o "Sport Club Sergipe", que desenvolveriam o futebol já na década seguinte; e no Bairro Chica Chaves (hoje, Bairro Industrial), espaço de criação do "Parque Esportivo Thales Ferraz" e do “Industrial Football Club”, ligado à Fábrica Sergipe Industrial, além de clubes de fábrica como a "Associação Desportiva Confiança"; o município de Estância, no qual a Vila Operária da Fábrica de Tecidos Santa Cruz foi berço do "Esporte Clube Santa Cruz"; e a cidade de Maruim, importante centro de entrada de produtos pelo porto (Barra de Maruim), onde foi fundado, no ano de 1917, o "Socialista Sport Club", ratificando o ideário que soprava das tensões na Rússia.
Quais as tensões do desenvolvimento do futebol em Sergipe face os contrastes entre os jovens da classe abastada, fundadores do Cotinguiba e do Sergipe, e os trabalhadores que compunham os clubes de fábrica como o Industrial, o Confiança, o Santa Cruz e o Socialista? Como se inseriram os jovens futebolistas das fábricas no amplo movimento das classes trabalhadoras no Estado? Quais as intervenções políticas para o desenvolvimento do futebol sergipano nesse cenário, posto que os oligarcas que governavam o Estado sempre estiveram à frente dos clubes como Presidentes, sócios beneméritos ou conselheiros? Como se deu a afirmação dos jovens negros no futebol sergipano, especialmente nos clubes de fábrica? Qual a contribuição do futebol no desenvolvimento das cidades sergipanas, especialmente as interioranas, seja no aspecto geográfico, seja na sua dinâmica cultural?